As maiores varejistas locais do Brasil revelam estratégias de e-commerce divergentes em 2025

*Este artigo foi originalmente publicado no site da EMARKETER. Clique aqui para lê-lo.

A tendência: Os resultados financeiros das duas maiores varejistas locais do Brasil — Casas Bahia e Magazine Luiza—em 2025 demonstram como o mercado de e-commerce do país está se transformando, com parcerias, retail media e inteligência artificial emergindo como principais motores de crescimento.

Análise aprofundada:

O ritmo do e-commerce está divergindo. As vendas online da Casas Bahia cresceram 12,1% no ano passado, atingindo US$ 3,33 bilhões (R$ 18,63 bilhões), marcando uma recuperação após três anos consecutivos de queda. Embora ainda estejam abaixo do pico de 2021, de US$ 4,15 bilhões, o crescimento observado tanto nos canais próprios (*first-party*) quanto nos canais de terceiros sinaliza uma melhora no ritmo de expansão rumo a 2026. A Magazine Luiza, por outro lado, seguiu na direção oposta. Enquanto as vendas nas lojas físicas permaneceram positivas, as vendas online caíram 3,9% na comparação anual, totalizando US$ 7,92 bilhões (R$ 44,32 bilhões). Em resposta, a Magalu planeja refinar sua estratégia de e-commerce, enfatizando produtos e serviços de maior qualidade por meio de seu modelo de marketplace curado, o "brandplace".

As parcerias estão se tornando centrais para o crescimento. Ambas as empresas estão recorrendo de forma mais intensa a plataformas externas para ampliar seu alcance e capturar demanda incremental. A Casas Bahia anunciou uma parceria de longo prazo com o Mercado Livre, a qual permitirá que a varejista comercialize seu sortimento principal diretamente no maior marketplace online do Brasil. A Magazine Luiza adota uma estratégia semelhante, delineando planos para acelerar as vendas de bens duráveis ​​de seu estoque próprio por meio de parceiros como o AliExpress, com o objetivo de capturar tráfego externo que, em última análise, possa ser direcionado de volta para seus próprios canais.

O crescimento de retail media permanece robusto. O retail media está emergindo como um importante motor de crescimento para ambas as empresas. A Casas Bahia informou que novos formatos de banners, voltados para anunciantes não endêmicos, expandiram sua base de anunciantes, contribuindo para um crescimento de 65% na receita de retail media na comparação anual. A Magazine Luiza observou um crescimento semelhante, com a receita do Magalu Ads crescendo 54% em 2025, impulsionada pela melhoria no desempenho e no retorno sobre o investimento dos anunciantes. Os resultados sugerem que marcas e vendedores estão integrando cada vez mais o retail media ao seu mix de marketing, à medida que os formatos de anúncios, as ferramentas de mensuração e as capacidades de análise de dados atingem um maior grau de maturidade.

A inteligência artificial está se tornando uma prioridade estratégica. Ambos os varejistas também estão intensificando os investimentos em inteligência artificial para impulsionar o crescimento. O Magazine Luiza está posicionando o comércio impulsionado por IA como um novo canal de vendas, centrado em compras conversacionais por meio da integração da "Lu" ao WhatsApp e na implementação mais ampla de IA em todo o seu ecossistema, visando oferecer experiências mais fluidas e personalizadas. As Casas Bahia estão aplicando a IA em suas operações para aprimorar a tomada de decisões e a eficiência, utilizando modelos avançados para previsão de demanda, planejamento de sortimento por clusters e otimização de preços, a fim de aumentar a produtividade e promover um merchandising mais orientado por dados.

Implicações para varejistas e marcas: Os resultados indicam que o mercado brasileiro de e-commerce de varejo está entrando em uma nova fase. Os varejistas estão experimentando uma combinação de parcerias de marketplace, retail media e IA para reativar o crescimento e fortalecer seu posicionamento competitivo.